quarta-feira, maio 28, 2008

Tasco da Mouraria


'Cresce a noite pelas ruas de Lisboa,
E os meninos como eu foram dormir.
Só eu fico com o sonho que já voa,
Nessa estranha minha forma de sentir.

Desço o quarto com passinhos de menina,
num silêncio, que o respeito à o mais sagrado.
Quando o brilho dos meus olhos na cortina,
Se deleitam ao ouvir cantar o Fado.

«Meu amor vai-te deitar já é tarde»,
Diz meu pai sempre que vem perto de mim.
Neste misto de orgulho e de saudade,
De quem sente um novo amor no meu jardim.

E adormeço nos seus braços de guitarra,
No semblante que renasce a cada dia.
Esse sonho de cantar à madrugada,
Que foi berço num tasco da mouraria.

«Meu amor vai-te deitar já é tarde»,
Diz meu pai sempre que vem perto de mim.
Neste misto de orgulho e de saudade,
De quem sente um novo amor no meu jardim.'


Letra da música 'Tasco na Mouraria', incluída no novo álbum de Mariza, que será editado em meados do mês de Junho/Julho deste ano.

Até breve!
RC

1 comentário:

Poemas de Sótão e Porão II disse...

Apaixonante!
Delicadamente lírico.
Em reconhecimento, plena de ternuras e delicadezas, do Brasil envio-te um poema da minha autoria:


LISBOA

Aqui, por onde sangra o Tejo,
a melancolia é mesmo tanta,
e a nostalgia emerge tão concreta,
que nem o rebuliço ruidoso dos jovens,
nem o ânimo incontido dos artistas,
sequer a lucidez profana dos poetas,
alcançam entender-te, transformar-te.

Aqui, por onde floram as primaveras
e brotam alegóricos cravos rubros,
as pessoas revelam-se tão incrédulas
que parecem viver a esperar fantasmas.
Taciturnas almas penadas…
Perpetuação dos tempos findos!

Prantos de pedras tragados pelo tempo.
Hoje... esculturas esculpidas no cais.

Aqui, por onde passam esquifes,
e as esperanças desvanecem,
eu, apenas eu, abraso-te, animo-te.
Posto que trago em mim
o espírito libertário das gaivotas.
E o coração a desatar-te amarras
e a purgar-te o inebriante banzo.

Poemas viscerais, guardados em garrafas,
submersos nas lágrimas salgadas do teu mar.


Kátia Drummond